Colégio Franciscano Ave Maria promove encontro com famílias sobre educação socioemocional e a importância dos limites na formação integral das crianças.
No dia 20 de outubro, o Colégio Franciscano Ave Maria realizou mais uma edição do Pleno em Família, um momento de diálogo e reflexão entre escola e responsáveis. A palestra, conduzida por profissionais do Programa Pleno Socioemocional, abordou um tema tão atual quanto desafiador para pais e educadores: “O não que acolhe”.
Em tempos em que muitas famílias buscam equilibrar afeto, acolhimento e autoridade, o encontro trouxe reflexões valiosas sobre o papel dos limites no desenvolvimento infantil e na construção de adultos mais conscientes, responsáveis e emocionalmente saudáveis.
O limite como ato de amor
Dizer “não” para uma criança nem sempre é uma tarefa fácil. Muitas vezes, os responsáveis receiam frustrar os filhos ou comprometer a relação afetiva. No entanto, os especialistas do Programa Pleno destacaram que o limite, quando estabelecido com respeito, clareza e acolhimento, é uma importante demonstração de cuidado.
Os limites ajudam a criança a compreender que vive em comunidade, que existem regras de convivência e que nem todos os desejos podem ser atendidos imediatamente. Mais do que impedir comportamentos, eles orientam, oferecem segurança e contribuem para a formação do caráter.
Quando os adultos explicam os motivos de determinada decisão, a criança consegue compreender gradativamente as consequências de suas escolhas e desenvolver valores essenciais para a vida em sociedade.
As crianças aprendem quem são ao longo do crescimento
Durante a palestra, um dos aspectos ressaltados foi que as crianças não nascem conscientes de si mesmas. A construção da identidade acontece ao longo do desenvolvimento, nas relações familiares, escolares e sociais.
É por meio das experiências, dos vínculos e das interações cotidianas que elas aprendem a reconhecer sentimentos, compreender suas necessidades e identificar seu lugar no mundo.
Por isso, a maneira como os adultos conduzem os desafios diários, acolhem emoções e estabelecem limites influencia diretamente esse processo de amadurecimento.
Antes de acolher o outro, é preciso acolher a si mesmo
Outro ponto importante abordado no encontro foi o autoconhecimento. Os profissionais destacaram que, para acolher verdadeiramente uma criança, os adultos precisam, antes, desenvolver a capacidade de acolher a si próprios.
Conhecer as próprias emoções, limites, crenças e formas de reação permite que pais e educadores ajam com mais consciência diante dos conflitos e desafios cotidianos.
Essa prática fortalece as habilidades de relacionamento, favorece o diálogo e contribui para uma convivência mais equilibrada dentro da família.
A importância da alfabetização emocional
Você sabia que sentimos dezenas de emoções diferentes ao longo da vida?
Apesar disso, muitas pessoas conseguem nomear apenas uma pequena parte do que sentem. Isso acontece porque nosso vocabulário emocional costuma ser limitado, dificultando o reconhecimento e a expressão adequada das emoções.
O Programa Pleno destacou que ampliar esse repertório é fundamental para o desenvolvimento socioemocional. Quando crianças e adultos aprendem a identificar e nomear sentimentos, tornam-se mais capazes de lidar com frustrações, conflitos e desafios do dia a dia.
Nesse contexto, a fala tem um papel terapêutico importante. Entretanto, tão importante quanto falar é aprender a ouvir.
Ouvir é um gesto de cuidado
Escutar de forma verdadeira exige presença, atenção e disponibilidade emocional.
Muitas vezes, na rotina acelerada das famílias, ouvimos para responder e não para compreender. A escuta ativa permite que a criança se sinta vista, valorizada e compreendida, fortalecendo sua autoestima e a confiança nas relações.
Ouvir nem sempre é fácil, mas é uma habilidade indispensável para construir vínculos saudáveis e promover uma comunicação mais respeitosa dentro de casa.
O equilíbrio entre autoridade e acolhimento
A palestra também apresentou as contribuições da pesquisadora Diana Baumrind, conhecida por seus estudos sobre estilos parentais.
Segundo suas pesquisas, existe um perfil de educação que demonstra melhores resultados no desenvolvimento infantil: o estilo autoritativo.
Diferentemente do modelo autoritário, marcado pelo excesso de rigidez, ou do modelo permissivo, caracterizado pela ausência de limites claros, o estilo autoritativo combina firmeza e responsividade.
Em outras palavras, estabelece expectativas e limites consistentes, mas também oferece diálogo, acolhimento e escuta.
Esse equilíbrio ajuda a criança a compreender as razões das regras, favorecendo o desenvolvimento da autonomia, da responsabilidade e da autorregulação emocional.
Limites que educam para a vida
Ao longo do encontro, as famílias foram convidadas a refletir sobre uma verdade simples, mas transformadora: os limites não são barreiras para o amor. Pelo contrário, são ferramentas fundamentais para educar.
Quando os limites são firmes, coerentes e explicados com respeito, as crianças aprendem a lidar com frustrações, desenvolvem autocontrole, fortalecem sua capacidade de tomar decisões e constroem relações mais saudáveis.
São aprendizagens que ultrapassam a infância e acompanham a pessoa por toda a vida adulta.
Para continuar refletindo sobre o tema
O assunto também é aprofundado por Elisama Santos, autora do Programa Pleno Socioemocional e referência nacional em educação emocional e parentalidade consciente.
As famílias interessadas em ampliar seus conhecimentos podem acessar a entrevista da autora, organizada em 12 capítulos, que apresenta reflexões práticas sobre acolhimento emocional, limites, comunicação respeitosa e desenvolvimento humano.
Educação que forma para a vida
No Colégio Franciscano Ave Maria, acreditamos que educar vai muito além da construção do conhecimento acadêmico. Formar pessoas exige cuidar das emoções, das relações e dos valores que orientam cada estudante em sua trajetória.
Momentos como o Pleno em Família fortalecem a parceria entre escola e família, promovendo reflexões que contribuem para a formação de crianças mais seguras, empáticas, responsáveis e preparadas para os desafios do presente e do futuro.
Quer conhecer mais sobre a proposta socioemocional do Colégio Franciscano Ave Maria? Acompanhe nosso blog e nossas redes sociais para ficar por dentro das ações que ajudam a construir uma educação integral, humana e transformadora.
Quer se aprofundar no tema?
As reflexões compartilhadas durante o encontro dialogam com o trabalho desenvolvido por Elisama Santos, psicanalista, escritora, educadora parental e autora do best-seller“Educação Não Violenta”, obra que se tornou referência para famílias e educadores que desejam construir relações mais respeitosas, empáticas e conscientes com as crianças.
Parceira do Programa Pleno Socioemocional, Elisama defende que os limites podem ser estabelecidos com firmeza e acolhimento, fortalecendo os vínculos familiares e contribuindo para o desenvolvimento emocional saudável das crianças.
Para ampliar a reflexão sobre o tema “O não que acolhe”, as famílias podem acessar a série especial de entrevistas produzida pelo Programa Pleno Socioemocional, dividida em 12 capítulos, que aborda questões relacionadas à parentalidade, comunicação, desenvolvimento socioemocional e educação de crianças e adolescentes.
Acesse o conteúdo completo: 👉
Também vale a pena conhecer o trabalho e os conteúdos produzidos por Elisama Santos em seu site oficial, onde estão disponíveis artigos, livros, entrevistas, palestras e materiais sobre parentalidade consciente, comunicação não violenta e desenvolvimento humano.
Site oficial de Elisama Santos: 👉 https://elisamasantos.com.br/